Entrevista para ‘Mannschaft Magazin’ – “Boy Don’t Cry é sobre um homem que se salva da depressão ao ir dançar livre vestido de mulher”

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Bill Kaulitz concedeu uma entrevista para a revista alemã ‘Mannschaft‘, onde falou sobre o clipe Boy Don’t Cry (que será lançado no dia 10 de Outubro), além de relacionamentos e a comunidade LGBT, confira:

Bill, no videoclipe de “Boy Don’t Cry” podemos te ver vestido de drag. Como isso aconteceu?
Bill: Originalmente, era para ter sido um ator a assumir esse papel. Em conversa com o diretor do clipe surgiu a ideia de que seria muito mais legal se fosse eu interpretando a personagem. O conceito de auto realização é muito querido para mim. É sobre um homem que salva a si próprio de uma depressão emocional ao ir dançar livremente vestido de mulher. Esta também é a mensagem central da música: Nos salvar ou deixar que alguém nos salve ao ver o mundo com diferentes olhos.

Como foi a sua experiência como Drag?
Bill: Muito engraçada. Nos divertimos muito no set. Todos escolheram seu estilo e experimentaram diversas perucas. Neste ponto, devo dizer que tive um estilista muito legal que estava aberto a tudo. Todo o set foi uma verdadeira festa e não uma festa feita. Todos que fizeram parte do vídeo são amigos meus de Berlim e que vieram para a gravação do clipe.

Há apenas uma palavra em alemão na música: “All she wants to do is tanzen”. Quando você diz “she” (ela) se refere a sua “personalidade drag” que apenas quer dançar ou se refere a outra pessoa?
Bill: A ideia original da música era sobre conhecer um extraterrestre com aparência feminina e que salva alguém. É por isso que a personagem Drag encaixa muito bem. A pessoa que salva pode ser qualquer um ou qualquer coisa, como por exemplo uma voz interior que te pede para dançar.

Nunca houve nenhuma outra celebridade alemã que tivesse sido tão assediada e tão seguida como você. Consegue se imaginar saindo vestido como Drag para se disfarçar?
Bill: (risos) Acho que assim eu iria chamar muito mais atenção! Mas já me vesti em certas ocasiões de uma forma que ninguém me reconhecesse, por exemplo com óculos de sol, calças, boné e um bigode postiço. Saí assim no ano passado para ir as compras de Natal. Mas, a parte negativa é quando os fãs te reconhecem de qualquer jeito e querem tirar uma foto com você. Depois você aparece por ai com seu estilo ridículo. E isso não me parece legal. (risos).

Supostamente, já teve fãs que vasculharam seu lixo, pegaram seus cotonetes e discos de algodão e reutilizaram. Os seus fãs ainda são assim ou já estão mais crescidos?
Bill: Este/a fã dos discos de algodão não batia bem da cabeça! Ainda existem fãs assim, mas entretanto já sabemos como lidar com eles. Houve uma época em que nos sentimos tão restritos em podermos ir a qualquer lugar que o nosso sucesso era igual a uma prisão. Mesmo hoje em dia tomo cuidado com aquilo que revelo da minha vida nos meus Instagram Stories. Só posto uma foto de um quarto ou de um hotel quando já saí dele. Alguns fãs são muito extremos. Eles analisam o sofá que está na foto ou o quarto e tentam descobrir onde é que você está naquele momento. Estes fãs são mesmo exceção, a maior parte deles são muito atenciosos.

O seu promotor me disse que era muito importante pra você abordar a comunidade LGBT no clipe de “Boy Don’t Cry”. Porquê?
Bill: Acredito que muitas pessoas que pertencem a essa comunidade podem se identificar com essa música. É sobre viverem com o fato de serem diferentes e se libertarem das suas restrições para se livrarem da sua depressão. A liberdade de poder amar a pessoa que quer e vestir o que quiser é muito importante pra mim enquanto artista. Mas você precisa ser muito confiante e corajoso.

Você já teve essa liberdade quando ficou famoso com o Tokio Hotel há dez anos atrás. Com maquiagem e o seu cabelo comprido conseguiu quebrar os estereótipos de gênero na nossa sociedade. As pessoas já estão mais à vontade com esse tipo de coisa hoje em dia?
Bill: Acho que sim, bastante. O progresso vai sendo feito passo a passo. Acho que a minha idade tem um grande papel nessa parte. Tenho a sensação de que os outros me respeitam mais agora que sou adulto no que diz respeito à minha aparência. Quando era adolescente era muito diferente. Tinham que ir me buscar na escola porque as pessoas queriam me dar porrada por causa do meu estilo. Mas sempre lidei com essas coisas. Quando alguém me dizia para não fazer era quando eu fazia pior. Provoquei a minha liberdade para ser sincero.

Há três anos atrás você escreveu que ainda acreditava no seu “grande amor” e que o gênero não é importante para você. O mundo é obcecado por gêneros?
Bill: Absolutamente. Os estereótipos são muito importantes para as pessoas. Tão importante quanto à pergunta se vou para casa com uma mulher ou com um homem. É a primeira coisa que as pessoas me perguntam quando começam a ficar embriagadas. As pessoas ficam malucas quando não sabem.

A mídia várias vezes escreve de forma irônica/tirando o sarro de você. A revista FHM incluiu você na lista das “100 Unsexiest Woman” (100 mulheres menos sexy) juntamente com Beth Ditto. Você já lida melhor com esses tipos de manchetes?
Bill: Isso nunca me afetou realmente, também porque sempre tive o apoio da minha família. Venho de uma família artística que me permitiu viver da forma que quero em casa. Não existiam restrições nem hostilidades no que diz respeito às minhas roupas ou penteados. Fiz o meu primeiro piercing aos 13 anos e a minha primeira tatuagem aos 15. Na escola sempre tive a vantagem de poder contar com o meu irmão gêmeo Tom. Éramos o apoio um do outro por assim dizer. Mas, uma vez que sofríamos da mesma coisa, ainda passamos por tempos difíceis. Com 15 anos consegui subir ao palco e isso fez com que as coisas ficassem mais fáceis. Ainda que tivesse que lidar com muito ódio, o sucesso me trouxe a segurança necessária.

Você disse em algumas entrevistas que o seu último álbum “Dream Machine” foi o seu álbum de sonho. Ninguém falou nada e você fez o que quis. Os produtores te concederam isso de bom grado? Ou foi uma luta para romper a barreira?
Bill: (risos) Nem um nem outro! Depois do nosso último álbum, o contrato com a nossa produtora discográfica terminou e, pela primeira vez, conseguimos ser livres. Por isso, não tínhamos que pedir autorização a nada nem ninguém. Depois de termos finalizado o álbum, começamos a procurar parcerias. Foi muito bom.

No entanto, na música “Easy” você canta que antes tudo era mais fácil quando fumava erva no banco de trás do carro. E o que mais foi melhor no passado?
Bill: Oh, tudo é melhor quando se faz pela primeira vez! O primeiro beijo, o primeira ecstasy (risos). A música é sobre a indiferença da juventude e sobre querer preservar essa indiferença. Só se apaixona pela primeira vez uma vez. O sexo é que talvez seja uma exceção. Quanto melhor, mais você sabe sobre isso (risos).

Durante a produção do álbum, você teve medo de ter experimentado tudo e não sentir nada de novo. Esse medo foi confirmado?
Bill: Tive essa crise especialmente antes do álbum. Com a minha idade, há pessoas que acabam a universidade e começam a trabalhar. Tive muitas vezes a sensação de que se morresse amanhã, não faria mal porque fiz o que quis e tive uma vida incrível. Isso pode ser comparado às crises de meia idade, as quais geralmente se dão aos 40 anos. Mas, com a gente ela veio mais cedo. Esta crise me fez escrever “Something New”. É sobre experimentar e voltar a experimentar coisas novas. É tudo uma questão de perspectiva, a qual se muda através de amigos, de um novo amor ou apenas vendo o mundo com diferentes olhos.

No ano passado, você lançou o EP “I’m Not Ok”. As letras são muito sombrias e você disse em uma entrevista que curou o seu coração quando gravou as músicas. Como é que você está hoje?
Bill: Nunca tive muita sorte no amor. Mesmo hoje, não posso dizer que estou numa ótima relação, mas estou bem. Não quero que a minha sorte dependa de terceiros. O meu EP é sobre o meu “grande amor” que não acabou bem. Muitas pessoas têm esse tipo de pessoa que não conseguem superar. Mas, ainda estou convencido de que vou conhecer uma nova pessoa. Mas, ainda vou carregar essa história comigo. Independentemente de quantos anos passem, ainda vai doer um pouco.

Última pergunta: A música “Dream Machine” é sobre os seus sonhos. Qual é o seu maior sonho?
Bill: Isso é difícil, tenho muitos! Quero casar. Desenhar a minha própria coleção de moda e ter a minha própria discoteca. Esses são os meus sonhos. São mais do que um (risos).

Fonte
Tradução, Tokio Hotel Portugal
Adaptação, Tokio Hotel Brasil Support

13.11 Bolonha, Itália

15.11 Marselha, França

16.11 Nancy, França

18.11 Berlim, Alemanha

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