Revista Mate Ed. 43: “Nós temos 25 anos nas costas e eu ainda me sinto como um moleque – Tom”

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Confira a tradução da entrevista publicada na Revista Mate, edição 43:

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Idolatrados, rejeitados, aplaudidos, mas nunca ignorados.
Após o lançamento de seu primeiro single “Durch den Monsun” Tokio Hotel conseguiu se tornar em poucos anos uma das melhores bandas alemãs do século. Na França, a banda teve muitos fãs que ajudaram a promover a banda e até lá o seu single atingiu o primeiro lugar. O público alemão se adaptou ao estilo rebelde do vocalista Bill Kaulitz – Somos orgulhosos dos quatro rapazes, por terem feito um tremendo sucesso até no exterior, onde alguns outros artistas alemães falharam. Queríamos saber onde os gêmeos Bill e Tom estiveram escondidos nos últimos quatro anos, se podemos ver o Bill vestido normal (de jeans e camiseta) e acima de tudo: como é o novo álbum.

O quarto álbum de estúdio do Tokio Hotel será lançado em breve. Se passaram 5 anos desde o lançamento do último. Um ano depois do lançamento do “Humanoid” vocês decidiram dar uma pausa com a banda e se mudaram para Los Angeles.
Bill: Sim, é assustador ver que 4 anos já se passaram.

Por que vocês decidiram se mudar para os Estados Unidos especificamente?
Bill: Foi uma decisão espontânea. Sabíamos que tínhamos de deixar a Alemanha e conheci umas pessoas em LA. Mas poderia ter sido qualquer outra cidade. Já tínhamos procurado antes um outro lugar para viver mas não tínhamos absolutamente nenhuma intenção de deixar a Alemanha completamente.
Tom: Quando a situação se tornou mais complicada na Alemanha nos mudamos quase da noite pro dia. Nós não vimos sequer uma foto da casa onde nos moramos, mas procurei na internet. Em seguida, compramos os tickets voamos para longe. Sem uma passagem de volta.

O quão difícil foi “não fazer nada” para vocês?
Bill e Tom: não foi nada difícil (risos)
Bill: Seria tolice dizer que temos trabalhado no álbum o tempo todo. No início não tínhamos realmente nada. Nós apenas descansamos e fizemos coisas para as quais não tínhamos tido tempo até esse ponto.

Em 2013 vocês fizeram parte do júri do programa “DSDS”. Foi porque vocês sentiram falta dos palcos?
Bill: Nós não tivemos tempo pra fazer essas coisas quando estávamos na estrada com o Tokio Hotel, então fazer parte do júri de qualquer programa estava fora de questão. Sempre tivemos ofertas para esse tipo de trabalho e ano passado a proposta soou tão boa que não pudemos mais dizer não.
Tom: (risos)

Como é que vocês mantinham contato com os fãs ao longo dos últimos quatro anos? No THTV vocês postaram vários vídeos nos bastidores com gravações em estúdio – foi a maneira de vocês dizerem, “Olá, estamos de volta”?
Bill: Sim, nós começamos a postar episódios no Tokio Hotel TV novamente. Nós já fizemos isso no passado. Com o novo álbum foi uma oportunidade imensa de dar às pessoas a oportunidade de ver um pouco da nossa vida e divulgar a nossa música.

Tom, notei que no Trailer oficial você não toca guitarra, só trabalha com um mixer. Quando foi que você trocou a guitarra pelo mixer?
Tom: Isso foi uma questão de necessidade. Quando começamos a gravar as músicas novas, trabalhar com outros produtores, percebemos que havia uma diferença. As sessões de composição com os outros autores não eram como tínhamos imaginado. E por isso eu disse pro Bill que teríamos que fazer tudo sozinho. Em seguida, construimos um estúdio em casa e nós apenas começamos. Não com o objetivo de produzir o álbum inteiro, mas acabou acontecendo. Eu e o Bill somos produtores executivos do álbum e eu produzi uma grande parte das músicas. É uma emoção muito grande. Mas o álbum ficou bom pois tivemos muito tempo.

Vamos continuar falando desse trailer: Bill, você mesmo disse que as vezes diz “não” para algumas músicas que levaram horas e horas para serem produzidas. Quem na banda tem a última palavra na hora de escolher as músicas dos álbuns? Ou o grupo todo decide?
Bill: Nós fingimos que essa é uma decisão do grupo todo, mas na verdade sou eu quem decide tudo (risos). Claro que escolhemos tudo juntos e fazemos isso sem nos arrepender de nada. Nós sabemos muito bem o que é importante um pro outro. O Tom sabe que se eu digo “não” pra alguma música ele não precisa nem tentar me convencer, pois ele sabe que eu não vou mudar a minha opinião quanto a isso – ele acaba esquecendo a música e vice-versa.

Quem é responsável pelas letras?
Bill: Nós escrevemos tudo juntos.
Tom: Sim, mas a maioria delas quem escreveu foi você.
Bill: Claro que eu sou o responsável principal pelas letras. Algumas músicas foram completamente escritas por nós mesmos, algumas outras com compositores e produtores.
Tom: Bom, se as letras são brilhantes elas foram escritas por mim. O resto todo foi escrito pelo Bill. (risos)
Bill: (risos)

Vocês estão usando muitos efeitos eletrônicos nas músicas – é essa a direção musical do Tokio Hotel futuramente?
Tom: Especialmente falando dos efeitos vocais, eu realmente não diria que é assim que o estilo do Tokio Hotel vai ficar para sempre. Sempre depende da música. Nós não planejamos usar efeitos vocais e autotunes, isso simplesmente aconteceu. Tem vocais que você pode usar de várias maneiras, e soa muito clichê, mas tem outros que são tão bons que podem ser usados com muito autotunes e continuarão sendo bons, e a categoria vocal do Bill é exatamente essa. No começo eu não editei a voz dele com esses efeitos pois achei desnecessário. Mas o Bill cantava desafinado demais, porque ele na verdade nem sabe cantar, então inseri os efeitos urgentemente. (risos)
Bill: Nós realmente não tivemos uma direção certa nesse novo álbum. E esse foi o motivo principal da nossa pausa: nós não tínhamos ideia do que fazer. Mas depois desse tempo, muita coisa nova aconteceu. Eu mudei e meu gosto musical mudou. Esse álbum foi inspirado pela vida noturna, já que fizemos festa o dia inteiro. Nós queríamos fazer músicas que nós mesmos gostamos de ouvir,

Qual foi o último CD que vocês compraram?
Tom: Eu compro na maioria das vezes só músicas. Eu comprei recentemente uma música daquele cara – qual é o nome dele mesmo? José?
Bill: (interrompe) eu acho que é Hozier. Eu nem sei pronunciar esse nome.
Tom: Qual era o nome da música mesmo?
Bill: “Take Me To Church”
Tom: “Take Me To Church”. Exato, foi essa a que eu comprei. Nós criamos uma playlist no Spotify para anunciar a data do lançamento do nosso novo álbum. Aquela playlist reflete nosso gosto musical.
Bill: Eu também amo o Robyn. Eu compro todas as músicas que ele lança. E também gosto de Ellie Goulding.

O visual sempre foi muito importante pro Tokio Hotel. O que podemos esperar daqui pra frente?
Bill: Vocês podem esperar por muitas coisas. (risos) Tirando a parte musical o visual da banda também é de extrema importância. Nós tivemos um photoshoot incrível nesses últimos dias e pra mim foi como respirar ar fresco. Mas meu estilo sempre mudou, de uma forma ou de outra.
Tom: Bill estava muito nervoso e o resto da banda não. (risos)

Bill, você usa roupas no palco que não aparentam ser muito confortáveis. Tem algumas vezes que você deseja cantar só de camiseta e Jeans?
Bill: Quando eu vou dar uma volta com o meu cachorro eu uso na maioria das vezes calças de jogging. Mas eu nunca usaria isso no palco. Quando fazemos tour eu me sinto desconfortável quando não tenho algo pra vestir. Vestir essas coisas simples no palco fariam com que eu me sentisse inseguro.

Vocês sempre deram a impressão de se dar bem com a imprensa, especialmente você Tom. Você parece se divertir fazendo suas gracinhas. Como vocês descreveriam a relação do Tokio Hotel e a imprensa?
Tom: Nós tentamos lidar com isso da forma mais relaxada que pudermos. Mas eu tenho que admitir que isso nem sempre foi assim. Eu já fui tema de um artigo da BILD antes mesmo de termos a banda. No outro dia eu tive que ir pra escola e encarar a reação das pessoas. Quando se é jovem demais você não consegue lidar com isso muito bem, mas depois de um tempo todo mundo aprende. Isso é parte do nosso trabalho. Mas claro, esse é um processo que não acontece magicamente. Quando a nossa carreira começou fazíamos coisas que soavam como “Tokio Hotel”. Agora nós só fazemos o que gostamos.

Vocês acham que foi fácil lidar com a imprensa pelo fato de vocês virarem estrelas da noite pro dia quando ainda eram jovens?
Bill e Tom: Sim
Bill: Quando você é jovem, você nem pensa sobre isso. Mas quando você vai crescendo – e todo mundo conhece isso – você começa a se auto policiar mais. Você fica nervoso mais rápido e algumas coisas se tornam mais difíceis. Um jovem não pensa muito. É igual álcool e drogas. Quando se é jovem, você bebe bastante, se droga e acorda no dia seguinte. Quando você é adulto você pensa primeiro “Ok, quando é que eu tenho que acordar amanha?”

Vocês se consideram adultos?
Tom: Estávamos conversando sobre isso num outro dia. O sol estava se pondo e eu disse pro Bill “Nós temos 25 anos nas costas e eu ainda me sinto como um moleque”
Bill: Eu também não me vejo como um adulto. Nós somos mais maduros e tomamos mais conta de nós mesmos, mas todos dizem que a partir dos 25 isso tudo muda (risos).
Tom: Isso é porque você acorda, se olha no espelho e repara que está totalmente acabado por causa da noite anterior. (risos)
Bill: Você sempre se sente mais novo por dentro.
Tom: Quando eu tinha 15 eu me sentia como um adulto.
Bill: Exatamente! Quando eu tinha 15 anos eu ia pra boates e dizia: “Tomara que eu não tenha que mostrar minha identidade”. E hoje em dia eu me sinto jovem e fico quase chocado quando alguém pensa que sou mais velho do que realmente sou. Eu acredito que isso é uma coisa que vem com o tempo. Eu tenho certeza que vamos olhar para essa entrevista quando lançarmos o nosso próximo álbum em alguns anos e vamos dizer “Olha como éramos jovens e sem experiência”. Eu acho que nesse aspecto, você nunca cresce.
Tom: Especialmente quando se pode fazer tudo o que quer. E nós fazemos isso desde os 15. (risos)

Fonte
Tradução, Tokio Hotel BR